Artista Visual graduada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Apresentou happenings e performances através do grupo "Neo-mutismo", formado em 2005 na UFS, por Rogério da Silva (in memorian). Concluiu na UNICAMP sua dissertação de mestrado em torno do terror e performance art, além de integrar o coletivo "Arquipélago", formado em 2008, pelos artistas: Flávio Rabelo, Isabella Santana, João de Ricardo, Rodrigo Scalari e Shima.
ACESSEM TAMBÉM: www.linguagemevida.blogspot.com
Performance apresentada no cultart, em Aracaju-SE, em 13 de Junho de 2011 no evento "Altares de Sto. Antônio", organizado pelo prof. Dr. Otávio Luiz Cabral, da Universidade Federal de Sergipe. Este trabalho abordou o tema da presença e do trânsito erótico efetivo na performance. "O erotismo se manifesta nas artes figurativas como relação entre o vestido e o nu. A sua condição é, portanto, a possibilidade de um movimento, de um trânsito de um para o outro: se a um dos dois termos for atribuído um significado primário e essencial em prejuízo do outro, faltará a própria possibilidade de trânsito e, logo, do erotismo. Nesse caso, à veste ou ao nu é atribuída uma dimensão absoluta". PERNIOLA, Mario. Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo. São Paulo: Studio Nobel, 2000.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas, Brasil.
Dissertação: Campos do terror contemporâneo (res)significados no topos da performance art, Ano de obtenção: 2009.
Orientador: Arthur Hunold Lara.
2001 - 2006 Graduação em Artes Visuais Licenciatura.
Universidade Federal de Sergipe, UFS, São Cristovão, Brasil.
Monografia: Grupo Neo-mutismo: considerações e apontamentos sobre experiências performáticas realizadas na cidade de Aracaju em 2005.
Orientador: Rogério da Silva Oliveira.
CARGA HORÁRIA: 20 HS com entrega de certificados.
EMENTA DO WORKSHOP
A arte da performance, ou performance art, é uma linguagem artística híbrida, singular, que está na fronteira e abarca diversas formas de expressão artística, dentre as quais destacamos: artes visuais ou plásticas, dança, teatro, literatura, música. Sendo assim, a arte da performance, é o que podemos chamar de não-lugar, é a fronteira, o mixed-media (mistura de diversas formas de expressão artística).
A performanceart, forma de expressão contracultural que eclode em meados dos anos 1960 quando artistas plásticos, dentre os quais destacamos, o estadunidense Allan Kaprow, o alemão Joseph Beuys, o grupo Fluxus, a sérvia Marina Abramovic, entre muitos outros, resolvem aproximar a arte à vida e, à gestos e a elementos ordinários do cotidiano. A performance art tem suas origens, de acordo com a atual pesquisadora da Universidade de Nova York, RoseLee Goldberg, nos movimentos de vanguarda do início do século XX (Futurismo, Construtivismo Russo, Dadaísmo, Surrealismo, Bauhaus).
A cada dia a arte da performance tem se constituído como forma de expressão artística, o número de artistas performáticos e os festivais em torno da performance é crescente no mundo. Ao encararmos a arte enquanto função social, nos apropriamos do conceito estrutural “Denken ist Plastik” (Pensar é Esculpir), difundido pelo artista performático Joseph Beuys, em que através do pensamento, materializamos e transformamos algo, a partir da ação, tornando-nos desta forma, num homem de ação. Além disso, o teórico da performance, o diretor teatral Richard Schechner, nos dá uma visão mais antropológica do tema, relacionando a performance ao seu aspecto ritual e xamânico, que também nos é muito relevante para este workshop, por lidar com temas ligados à catarse, à cura, à transmutação, à transcendência e à imanência. Do ritual ao espetacular, da arte engajada à cultura de massa, a performance abarca diversos setores das estruturas sociais e culturais, incluindo-se as artes, a política, os meios de comunicação de massa, e por isso, a importância em estudá-la.
Este workshop, trata-se de um pequeno laboratório de pesquisa, uma iniciação teórico-vivencial, em torno da arte da performance. É aberto a todos os interessados em ter um contato não só com a teoria, assim como também, com a prática, desta forma de expressão artística.
CRONOGRAMA
26/11/2010 (sexta-feira) das 19:00 hs às 22:00 hs(Abertura com palestra em formato de open space e, panorama de mostra de vídeos e fotografias de artistas performáticos).
Temas da palestra:
1.A arte da Performance (do Futurismo ao Presente), estudo de RoseLee Goldberg.
2.Observações sobre o estudo antropológico da performance realizado pelo pesquisador Richard Schechner.
3.A performance art como fronteira, como não-lugar.
4.O gesto inacabado da arte processual.
5.Considerações sobre a formação do coletivo de pesquisa prática-teórica de happenings e performances, Neo-mutismo, formado na Universidade Federal de Sergipe em 2005, pelo professor Rogério da Silva (in memorian), e pelos estudantes da UFS, Isabella Santana (Artes Visuais) e Pablo Giocondo (Filosofia).
27/11/2010 (sábado)
09:00 hs às 13:00 hs
. Exploração de reconhecimento da anatomia do corpo através de exercícios físicos.
14:00 hs às 18:00 hs
. Exploração do corpo como fronteira através de exercícios físicos.
04/12/2010 (sábado)
9:00 hs às 13:00 hs
. Propor tasks (tarefas) a serem resolvidas pelos vivenciadores-receptores da ação.
. Preparação da vivência artística no SESC-centro.
14:00 hs às 18:00 hs
. Vivência artística a ser apresentada em espaço público.
IVESTIMENTO: R$ 20,00
INFORMAÇÕES:
CENTRAL DE ATENDIMENTO DO SESC: 3216 27 27
WWW.SESC-SE.COM.BR
CONTATOS: email:isabellaoliv@hotmail.com
BIBLIOGRAFIA DO WORKSHOP
AUSLANDER, Philip. From Acting to Performance – Essays in Modernism and Postmodernism. London: Routledge, 1997.
BORER, Alain. Joseph Beuys. Trad. Betina Bischot e Nicolás Campanário. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.
CARLSON, Marvin. Performance – A critical introduction. New York: Routledge, 2ed, 2004.
COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Editora Perspectiva, 2002.
COTRIM, Cecilia; FERREIRA, Gloria (Orgs.). Escritos de artistas – anos 60/70. Rio de Janeiro-RJ: Zahar, 2006.
GLUSBERG, Jorge. A arte da Performance. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.
GREINER, Christine. O Corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.
GOLDBERG, RoseLee. A arte da performance: do futurismo ao presente. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
KAPROW, Allan. Essays on the blurring of art and life. Edited by Jeff Kelley. California, 1993.
SCHECHNER, Richard. Environmental Theater. Nova York: Hal Leonard Books, 1994.
____________. Performance Studies – An Introduction. Nova York: Routledge, 2ed. 2006.
____________. Performance Theory. Nova York: Routledge, expanded edition, 1988.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Trad. Jerusa Pires e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
AUGÉ, Marc. Não-lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad. Maria Lúcia Pereira. Campinas, SP: Pairus, 1994.
CABANE, Pierre. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. Trad. Paulo José Amaral. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.
DELEUZE, Gilles. GUATARRI, Félix. Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia, Vol. 3. Trad. Aurélio Guerra Neto. Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.
DERRIDA, Jacques. BERGSTEIN, Lena. Enlouquecer o subjétil. Trad. Geraldo Gerson de Souza. São Paulo: Unesp, 1998.
FARIAS, Agnaldo. Arte brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
HOLBEIN, Hans. The Dance of Death. Nova York: Dover Publications, 1971.
LAURENTIZ, Paulo. A Holarquia do Pensamento Artístico. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1991.
MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark – Obra Trajeto. São Paulo: Edusp, 1997.
MORAIS, Frederico. Contra a arte afluente: o corpo é o motor da “obra”. In: Arte contemporânea brasileira: textura, dicções, ficções estratégias. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. P. 169-178.
PERNIOLA, Mario. Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo. Trad. Maria do Rosário Toschi. São Paulo: Studio Nobel, 2000.
SALLES, Cecilia Almeida. Gesto inacabado – processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 2. Ed, 2004.
SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: Qual é o parangolé? e outros escritos. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Nunca fomos humanos – nos rastros do sujeito. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.
VESALIUS, Andreas. De humani corporis fabrica. Epitome. Tabulae sex. Trad. Pedro Carlos Piantino Lemos, Maria Cristina Vilhena Carnevale. São Paulo: Ateliê Editorial; Editora Unicamp, 2002.
Rito - A experiência performática como rito de sublimação.
O pensamento pós-estruturalista francês. DELEUZE, Gilles. Mil Platôs n. 01.
Rizoma O Pensamento Rizomático; sociais ou singulares: molares (pensamento duro/estratificado), moleculares, fuga (pensamento revolucionário).
As linhas não são fixas, estão em devir, em processo de reconfiguração.
Caos rizomático Metonímia - parte pelo todo Punctum - entrada no fluxo. Pontos que possibilitam mas não garantem a entrada na zona de turbulência, na zona de criação.
memória: atual/virtual
Vida = máquina autopoiética que se auto sustenta em rede instável.
Organicidade - instabilidade na estabilidade.
O virtual não se opõe ao real mas ao atual.
O virtual trata-se de um modo de ser fecundo e poderoso, que põe em jogo processos de criação, abre futuros, perfura poços de sentido sob a platitude da presença física imediata.
A atualizaçõa é criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâminca de forças e de finalidades.
Visto que as substâncias psicodélicas expõem-nos a níveis diferentes de percepção e experiência, usá-las significa entrar em uma aventura filosófica, obrigando-nos a confrontar a natureza da realidade com os nossos frágeis sistemas subjetivos de crenças. A diferença é a causa do riso, do terror. Nós descobrimos abruptamente que fomos programados todos esses anos, que tudo que aceitamos como sendo realidade é apenas uma construção social. (Timothy Leary)
Performance apresentada por Isabella Santana em Aracaju-SE, com as participações do DJ Daniel (ProAgressivo) e Vj Lemon. Buscamos um novo olhar e experiência sinestésica sobre a realidade, através da construção do corpo sem órgãos proposto por Gilles Deleuze e da busca por estados não comuns de consciência. Somos inspirados pelas batidas eletrônicas da música trance psicodélica, pelo erotismo, pelas manifestações do grotesco medieval, pelo teatro da crueldade de Antonin Artaud e pelas manifestações de horror disseminadas nos mass media.
Imagens: Alessandro Santana e Gabriela Caldas Edição de imagens: Gabriela Caldas Realização: Olhos Cozidos
Ação realizada na Caixa d' agua da Unicamp, pelos integrantes do "Coletivo Arquipélago",Flávio Rabelo, Isabella Santana e João de Ricardo, no dia 17/10/2008. Fotografias por: Flávio Rabelo, João de Ricardo e Renato Fabbri.
Ações performáticas a serem apresentadas no FEIA 9 (Festival do Instituto de Artes da Unicamp), pelos integrantes do coletivo Arquipélago, Flávio Rabelo, Isabella Santana e João de Ricardo, dia 14 de setembro 2008, a partir das 19:00 hs, na sala Ac03 do departamento de Cênicas da Unicamp. “doubleME1” se caracteriza pela realização de ações performáticas, estendidas no espaço-tempo. Retoma em sua poética o mito de Narciso, refletindo fenômenos atuais que este tem assumido em nossa contemporaneidade, evidenciando assim, o excesso de preocupação com a construção daquilo que não somos. Por sua vez, a discussão em voga sobre a morte do sujeito vem revelar que o rosto do Outro é, antes e, sobretudo, uma superfície cheia de furos.
"In progress", um trabalho em processo que apresentei juntamente com os integrantes do "Coletivo Arquipélago", Flávio Rabelo e João de Ricardo, em 9 de Agosto de 2008, no IV Festival de Apartamento "Sechiisland", organizado pelo grupo performático Acompanhia. As minhas ações performáticas foram influenciadas por estudos pessoais em torno do terror veiculado nos meios de comunicação de massa, principalmente aquele disseminado na rede internet. Além de analisar notícias e imagens de terror veiculadas neste meio, para (res)significar no topos da ação performática, inspirei-me notadamente, no documentário Ônibus 174, dirigido por José Padilha, assim como também, nas ácidas letras musicais, do rapper carioca MV Bill, emboladas por uma batida alucinante, que remete ao universo que irrompe da sexualidade. Outros estudos também contribuíram de fora significativa para este trabalho, como o estudo em torno da cultura popular na Idade Média e Renascimento, apresentado por Mikhail Bakhtin, além de inspirar-se em estudos sobre os mitos antigos gregos de Narciso e Medusa. O de narciso principalmente por conta da atualidade que este adquire em nossa contemporaneidade. Basta analisarmos a "infinidade de páginas de relacionamento em que os usuários fazem questão de devassar sua intimidade e a alheia, blogs, fotologs e afins que expõem vidas e imagens que parecem ter sido preciosamente esculpidas para agradar".(1) O mito da Medusa, por sua vez, revela a dualidade, ambigüidade, o paradoxo inerente à existência humana. Ao mesmo tempo em que ela fascina por sua beleza, ela também aterroriza, petrificando os olhos de quem a olha. Além da dualidade inerente à esta deusa, o que pode estar subentendido nesta relação de petrificação? Emprestando-me da releitura de Deleuze, por Marcus Doel, esta relação nos demonstra "que o rosto do Outro é, antes e sobretudo, uma superfície cheia de furos", fortalecendo a idéia de que, "a geração de subjetividades não consiste na demarcação dos limites de um eu, enclausurado e interior, mas na idéia de que ele é o efeito de uma função ou operação que sempre se produz na exterioridade desse eu. O sujeito já não é uma unidade-identidade, mas envoltura, pele, fronteira: sua interioridade transborda em contato com o exterior".(2)p.108 e 122.
Hot Room! Um ensaio fotográfico realizado em 25 de maio a partir de uma ação performática apresentada por Isabella Santana e João de Ricardo e fotografado por Tonhão. Este nasceu como proposta vivencial do coletivo arquipelágo, um projeto in progress, que tem como embrião laboratórios práticos e estudos teóricos em torno da performance art. A primeira experiência foi o trabalho solo “casulo”, apresentado por João de Ricardo. A segunda se deu com "arquipélago n. 01", apresentada por Flávio Rabelo, Isabella Santana e João de Ricardo e, a terceira, Hot Room! Hot room! Foi incialmente inspirada na música de mesmo título, interpretada por Linda Lamb e revisitada também por uma versão de Siobhan Fahey. A este insight, agregamos elementos acumulados de experiências anteriores. Um deles foi a utilização do espelho, partindo da concepção dos mitos de Narciso e Perséfone: Perséfone cheirou a flor de narciso que a entorpeceu. Aproveitando isso hades a sequestrou, a levou pro reino ctônico e a estuprou. A partir dai perséfone foi coroada rainha do hades.
Partindo da idéia do entorpecimento, iniciamos a ação com a ingestão de placebos vermelhos e azuis, oferecidos também, em cima do espelho, ao público participante. The red, or the blue one? What you choose? O duelo entre o bem e o mal, morte e vida, superfície e profundeza, paraíso e inferno, realidade e virtual, são assim encontrados, no desenrolar desta ação. Num segundo momento, João ao mascarar seu rosto e sua persona, comporta-se como servo seduzindo ao mesmo tempo, Isa ao inferno, levando-a até às profundezas, do universo que irrompe da sexualidade. Hot Room! Fetichismo visual! Environment vermelho, gestos obscenos, perversão, narcisismo, champagne, morangos e cremes, irão de encontro aos elementos do Hades e também, dos mistérios de Elêusis e das festas dionisíacas. O importante é concluir que a sociedade é constituída historicamente, desde milhões de anos, destas dualidades, em que permeiam a beleza e a feiúra, o grotesco e o sublime, o trágico e o cômico. O terror e a violência, por sua vez, inerentes ao instinto animal, segmentam traumas ao longo dos séculos, que aliados ao desenvolvimento das novas tecnologias, vêm alterando profundamente os modos de comportamento e as relações interpessoais, tornando-as cada vez mais frias, efêmeras e transorgânicas.
Obs: este trabalho é um work in progress, para uma proposta de ação performática, a ser apresentada brevemente!
CONFIRA O LINK ABAIXO COM AS IMAGENS DO ENSAIO, FOTOGRAFADO PELO TONHÃO! http://www.cybunk.com/~natousayni/arquipelago/gallery_hotroom/index
Esta ação, foi apresentada em 2008 na Universidade Estadual de Campinas, pelos integrantes do coletivo Arquipélago: Flávio Rabelo, Isabella Santana e João de Ricardo e fotografada por Tonhão e Patrick Vesali.
Acessem o link abaixo do site com as fotos da performance Arquipélago N.01 tratadas pelo fotógrafo Tonhão!